28 de dez de 2010

Aumentar o Quociente de Felicidade (QF)!



Na esteira do novo ano que se anuncia, umas palavras que reuni numa "composiçao" hà uns dois anos atras. Feliz Ano Novo!

Aumentar o Quociente de Felicidade (QF)! :)

+ Musica - antibiotico
+ Poesia - ar condicionado
+ Amizade - vicio
+ Amor - medo
+ Luz - duvida
+ Coragem - decadencia
+ Paciencia - tristeza
+ Natureza - trafico
+ Tolerancia - preconceito
+ Disponibilidade - afobaçao
+ Compreensao - charme
+ Atençao - violencia
+ Uniao - pressa
+ Silencio - solidao
+ Confiança - separaçao
+ Liberdade - guerra

Quem sabe sonha
Quem sonha aprende
Quem pode sobe
Quem desce pode
Quem quer procura
Quem procura descobre
Se foi assim
Assim pode ser
Assim serà
Assim seja

Eu e o Pai somos Um

Um e Uma
Uns e Unhas
Unhas e dentes
Umas e outras
Numa boa
Numas

No mais
Aquele abraço
Aquela Paz

Luiz Lima (Lòla)


O sol ilumina a terra como a lua
Hà beleza na noite como no dia
Nada é pra sempre
Nada se esconde
Nada é igual
Tudo se cria

21 de dez de 2010

Jesus a. C.

Mal-aventurados os que se rendem às verdades absolutas sobre Jesus. Se foi reformador ou revolucionario, fariseu dissidente ou profeta iluminado, nada disso nos contam os Evangelhos. Jesus sabia se esconder bem entre as muralhas e as palavras. Indiscutivel apenas é que sua doutrina tomou o poder no Imperio Romano sem levantar uma espada. Entender suas paràbolas é mergulhar num emaranhado de significados que se multiplicam como os peixes do milagre evangelico. Peixes-simbolo de subversao da ordem vigente.
Ler Jesus é caminhar sobre as aguas incertas que vem com força e quebram em ondas de interpretaçoes. Nas praias, porem, sò existe a certeza de que ele era um superpoeta.


O texto acima està na contracapa do fantastico livrinho de Paulo Leminski, Jesus antes de Cristo, lançado pela Brasiliense, na serie "Encanto Radical" em 1984. Extraordinario! Leminski estudou hebraico e grego antigo, pra ler nos originais.

Alguns trechinhos:

De um carpinteiro chamado Yosef e de sua mulher Maria, nasceu Joshua.
Seu nome era muito comum entre os judeus, sendo uma ligeira alteraçao do nome Josué, o sucessor de Moises e cappo das tribos hebreias que invadiram a Palestina depois da morte do grande patriarca.
Entre as crianças de Nazareth, brinca um menino que, um dia, vai mudar o mundo como ninguem.
Ihoshuha, Joshua, Josué, Jesus: longa viagem vai fazer este nome.
As tradiçoes apostolicas e os relatos evangelicos cercaram seu nascimento e primeiros anos de toda sorte de lendas das mil e uma noites, de que o Oriente gosta.
Desde o nascimento de uma virgem até a visita de tres Magos ao menino recem-nascido, cada um portando presentes, ouro, incenso e mirra.
As contradiçoes entre uma historia verdadeira e lendas e fabulas que se teceram em volta de Joshua aparecem a primeira vista.
O evangelho atribuido a Mateus abre com a enumeraçao da genealogia de Joshua, desde o patriarca Abraao.
Na lista dos antepassados de Joshua, està o rei David, o que o faz herdeiro legitimo do trono de Israel.
Esta genealogia termina na pessoa de Yosef (José), pai de Jesus.
Imediatamente apòs, Mateus reporta a lenda da concepçao virginal de Jesus, nascido de Maria, fecundada por força divina, sem concurso de homem.
Ora, a ser assim, para que a genealogia de seu pai?
__________

Jesus parece ter sido muito livre na escolha de suas companhias. Os evangelhos estao cheios das queixas dos fariseus pelo fato de Jesus frequentar pecadores, estrangeiros, publicanos (coletores de impostos para Roma), meretrizes e até gente pior.
Jesus se saia com coisa do tipo:
Nao vim para salvar os justos. Justos nao precisam de salvaçao.

___________

Jesus nao falava claro. Nabi, profeta, falava por parabolas. Vale a pena saber que "parabola", em grego, quer dizer "desvio do caminho". O essencial das mensagens de Jesus està longe de ser transmitido por cadeias de raciocinios. Mas através de "estorias paralelas", as parabolas, unidades poéticas e ficcionais, capazes de irradiar significados espirituais e praticos, abertas a exegese, à explicaçao, à liberdade. Jesus, Joshua Bar-Yosef, pensa concreto.
Dai, a duraçao do seu pensar, constituido pela infinitude de interpretaçoes de suas elementaridades doutrinarias.
Admire-se, por exemplo, a formosura da parabola do semeador, a primeira relatada por Mateus.
"Naquele dia , saindo Jesus de casa, sentou-se à beira do mar. E juntou-se em volta dele uma multidao de gente, de forma que Jesus teve que subir numa barca e sentar-se nela.
A multidao estava na praia.
A ela, falou-lhes muitas coisas por parabolas, dizendo:

O semeador saiu a semear.
Parte da semente
caiu ao longo do caminho,
vieram as aves do ceu
e comeram-na.
Parte caiu na pedra,
nao tinha terra,
nasceu, veio sol e secou.
Parte caiu entre os espinhos,
os espinhos a sufocaram.
Parte, enfim, caiu entre terra boa
e deu frutos,
cem por um, outros sessenta por trinta.
Quem tem ouvidos pra ouvir, ouça.


Nao se sabe o que admirar mais aqui.
Mas merece destaque o contraste entre um Jesus falando, de uma barca no mar, sobre alguem que semeia na terra.
Na circunstancia desta parabola, um misterio nos hipnotiza.
Concretamente, nela , Jesus flutua sobre as aguas, falando da terra.
Agua. Terra. Pescar. Semear. Jesus fala por elementaridades: numa palavra, fala coisas.
Na parabola do semeador, Jesus fala, na realidade, dos efeitos e consequencias da pregaçao de sua palavra.
A semente, ai, é metafora e imagem da palavra.
O mais estranho vem a seguir: "e chegando-se a ele, os discipulos disseram: por que lhes fala em parabolas?"

A voces é concedido
conhecer os misterios do reino dos ceus,
a eles, nao.
Pois a quem tem, vai ser dado,
e abundarà.
De quem nao tem,
até o que tem
vai ser tirado.
Por isso, falo a eles por parabolas.
Para que, vendo, nao vejam.
E, ouvindo, nao ouçam
nem compreendam.
Assim se cumpra neles a profecia de Isaias:
ouvindo de ouvir, nao vao entender,
e, videntes, vendo, nao vao ver

A parabola é um genero oriental, encontradiço entre todos os povos da Asia, a revelaçao de verdades abstratas atraves da materialidade de uma anedota, uma unidade ficcional minima. Aquilo que Joyce chamava de "epifania".


E por ai vai.

Feliz Natal!

29 de set de 2010

Amelia

Grande cançao do album Hejira (1976) de Joni Mitchell , numa interpretaçao da excelente cantora romana Maria Pia de Vito.

18 de ago de 2010

THE RED ONE

"I Can See Your House From Here" (Blue Note, 1994), é um dos mais interessantes Cds de Jazz contemporaneo lançados na decada de 1990. Os guitarristas John Scofield e Pat Metheny, incontestaveis genios na arte da musica de improvisaçao, com o suporte ritmico dos igualmente geniais Steve Swallow no baixo e Bill Stewart na bateria.

14 de ago de 2010

HERE IT IS

Luciana Souza vem se afirmando como a mais importante cantora brasileira num ambito internacional, la onde a musica brasileira e a musica americana caminham de maos dadas ha pelo menos meio século, desde quando o ritmo do Samba assimilou as harmonias dissonantes do Jazz/Blues e vice-versa. A cançao "Here It Is" de Leonard Cohen, faz parte do CD "The New Bossa Nova", lançado em 2007.




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Here is your crown
And your seal and rings;
And here is your love
For all things.

Here is your cart,
And your cardboard and piss;
And here is your love
For all of this.

May everyone live,
And may everyone die.
Hello, my love,
And my love, goodbye.

Here is your wine,
And your drunken fall;
And here is your love.
Your love for it all.

Here is your sickness.
Your bed and your pan;
And here is your love
For the woman, the man.

May everyone live,
And may everyone die.
Hello, my love,
And, my love, goodbye.

And here is the night,
The night has begun;
And here is your death
In the heart of your son.

And here is the dawn,
(until death do us part);
And here is your death,
In your daughter’s heart.

May everyone live,
And may everyone die.
Hello, my love,
And, my love, goodbye.

And here you are hurried,
And here you are gone;
And here is the love,
That it’s all built upon.

Here is your cross,
Your nails and your hill;
And here is your love,
That lists where it will

May everyone live,
And may everyone die.
Hello, my love,
And my love, goodbye.

30 de mai de 2010

DARK EYES


http://www.youtube.com/watch?v=3hW-J5Gyvt8&feature=player_embedded

DARK EYES
words and music Bob Dylan

Oh, the gentlemen are talking
and the midnight moon is on the riverside,
They're drinking up and walking and it is time for me to slide.
I live in another world where life and death are memorized,
Where the earth is strung with lovers' pearls
and all I see are dark eyes.

A cock is crowing far away and another soldier's deep in prayer,
Some mother's child has gone astray, she can't find him anywhere.
But I can hear another drum beating for the dead that rise,
Whom nature's beast fears as they come and all I see are dark eyes.

They tell me to be discreet for all intended purposes,
They tell me revenge is sweet and from where they stand,
I'm sure it is.
But I feel nothing for their game where beauty goes unrecognized,
All I feel is heat and flame and all I see are dark eyes.

Oh, the French girl, she's in paradise and a drunken man
is at the wheel,
Hunger pays a heavy price to the falling gods of speed and steel.
Oh, time is short and the days are sweet and passion rules
the arrow that flies,
A million faces at my feet but all I see are dark eyes.

Copyright © 1985 Special Rider Music

27 de fev de 2010

Emerson

"Hà um momento na educaçao de cada pessoa em que ela chega a conclusao que a inveja é ignorancia, que a imitaçao é suicidio; que ela deve se assumir por bem ou por mal como a sua porçao; que embora o vasto universo seja pleno de coisas maravilhosas, nenhum grao de nutritivo milho pode lhe chegar senao através de sua labuta naquele pedaço de terra que lhe é dado pra cultivar. O poder que reside nela é novo na natureza, e ninguem mas somente ela sabe o que é que deve fazer, nem ela mesmo sabe até que tenha tentado".

"There is a time in every man's education when he arrives at the conviction that envy is ignorance; that imitation is suicide; that he must take himself for better for worse as his portion; that though the wide universe is full of good, no kernel of nourishing corn can come to him but through his toil bestowed on that plot of ground which is given to him to till. The power which resides in him is new in nature, and none but he knows what that is which he can do, nor does he know until he has tried".

Trecho de "Self-Reliance" (Auto-Confiança) de Ralph Waldo Emerson, traduzido por mim.


26 de fev de 2010

Afrosamba

Paulo Bellinati e Monica Salmaso se unem na realizaçao de um projeto dedicado aos Afrosambas de Baden Powell e Vinicius de Moraes: beleza ao quadrado.

25 de fev de 2010

Manifesto Agua de Coco

O Jardim seja Aqui Agora.
A Beleza seja pura, seja plena,
seja natural, seja artistica,
seja a expressao da liberdade de Ser,
de existir, de exprimir o que se è
na mais justa igualdade de direitos e deveres,
democracia fundamental.
A Paz seja o principio, o meio e o fim
de todos os conflitos, de todos os atritos,
de todos os bem ou mal ditos.
Pelo desarmamento de todas as forças,
de todos os exercitos e instituiçoes.
Militarismo, Nao!
Violencia, Nao!
Cooperaçao, Sim!


Luiz Lima

24 de fev de 2010

Grande Grande Sertao: Veredas!



Enviado por Catharina Lima

" Todos estão loucos, neste mundo? Porque a cabeça da gente é uma só, e as coisas que há e que estão para haver são demais de muitas, muito maiores diferentes, e a gente tem de necessitar de aumentar a cabeça para o total. Todos os sucedidos acontecendo, o sentir forte da gente - o que produz os ventos. Só se pode viver perto do outro, e conhecer outra pessoa, sem perigo de ódio, se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura."
" Viver é muito perigoso."

" Como não ter Deus?! Com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possível, o mundo se resolve. Mas, se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vai-vem, e a vida é burra. É o aberto perigo das grandes e pequenas horas, não se podendo facilitar - é todos contra os acasos. Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois no fim dá certo. Mas, se não tem Deus, então a gente não tem licença de coisa nenhuma!" (Riobaldo e Diadorim)

"O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e inda mais alegre ainda no meio da tristeza! Só assim de repente, na horinha em que se quer, de propósito - por coragem."


João Guimarães Rosa
Grande Sertão Veredas


Que em 2010, as bençãos dos Céus chovam em todas as hortas,
Catharina Lima

13 de fev de 2010

Lembrando Fon


Chico Lira

Conheci Fon numa festa na casa de Meira Pires. O ano exato eu não lembro. Lembro daquele rapaz (não tínhamos 18 anos ainda) de voz calma, clara e com um sotaque diferente, como se não fosse nordestino. Fon era magro, parecia mais alto (nem um e oitenta) e usava cabelos compridos (uma juba ondulada), óculos com aros redondos, lentes grossas e esverdeadas. A barba era rala e o bigode quase não tinha. O que ele tinha era um jeito amigável, fazendo perguntas pra ser atencioso com quem conversava: “Você nasceu em Natal?”. Ele puxava o papo. Dias depois passou na minha calçada. Chamou-me atenção como caminhava: passos largos, ligeiros (nem 30 anos depois eu conseguia acompanhá-lo: “Vamos lá, Matéria”). Seu andar era firme e determinado.

Quando me apresentaram Fon (acho que Sara Mires Pires) eu já conhecia seu irmão mais novo, Lola, das corridas noturnas de carros de cocão (rolimãs) no calçadão da AABB (minha amizade com Eustachio veio depois). Fon me conheceu como “Neném”, mas sempre me chamou de Lira por influência dos nossos amigos (Fankiko? Zezito? Gurgel, talvez). Sinto não ter andado naqueles tempos com os irmãos do descoladíssimo conjunto de rock “Vândalos”, mas não era difícil encontrá-los em Natal. Obrigatoriamente estávamos em todas.

A vida era tão boa que o tempo voou. Tudo foi mudando. Crescemos e logo depois dos 20 anos casando... e se separando. Menos Fon com Cathy. Em 1978, eu ainda casado no primeiro, encontrei Fon (abastecendo no Posto da Pitombeira) e surgiu um convite para irmos à sua casa da Candelária. Fomos mais de uma vez. Recordo Afonsinho, com dois anos, brincando com Fernanda, minha filha, com um.

Poucos meses depois e eles se mudaram pro Tirol. Lembro que nessa época Fon passou uma temporada de trabalho no Rio de Janeiro. E quando retornou, os nossos contatos foram tão freqüentes que resultou na produção de “Revolta dos Peixes”, três shows de Lola e banda (era uma de Mossoró, com Kadna Cordeiro, irmã de Cathy na flauta), no Teatro Alberto Maranhão, em fevereiro de 1980. Tudo correu bem com a produção e os shows, mas a “nossa” Mar Grande Produções Artísticas nem chegou a abrir firma. Eu me mudei pro Rio e Fon foi morar na badalada casa da Praia dos Artistas.

No Rio, me encontrava com Lola, que também se mudara pra lá, mas perdi o contato com Fon.

Em 1984, encontrei-o morando em São Paulo. Tomamos umas e outras na noite do Bixiga e dali em diante foram anos de intercâmbio Sampa-Praia Grande. Nossas “reuniões de cúpula” (como ele chamava) serviam para matarmos saudades de Natal e dos amigos: “Sabe quem ficou rico?” “Sabe quem pirou?”

Fon era caseiro. O evento precisava ser muito bom para tirá-lo da toca. Tinha uma vida familiar feliz, e sabia como poucos deixar os seus convidados à vontade. Ele amava o próximo ao se modo: sem grandes demonstrações. E quem conviveu com Fon, principalmente seus familiares, conheceu sua enorme generosidade.

Em 1994, eu pedi a Fon que ele viesse ao litoral para entrevistar o cantor Tim Maia, juntamente comigo e o jornalista Edgar Dall’Acqua. Veio e sofreu com sua calça de veludo em pleno verão. Mas foi ele quem nos salvou quando o irreverente entrevistado resolveu só falar em inglês. Tim Maia podia até vir em outras línguas, porque Fon, além de uma vasta cultura, era poliglota.

Quando, em 2007, ele foi baleado num assalto em seu escritório da Unicef, só soube meses depois. Foi quando trocamos alguns e-mails, mas logo ele adoeceu.

Fui vê-lo uma semana antes de nos deixar na saudade. Estava com sua dedicada e incansável Cathy ao lado. Abracei Afonsinho e Gabriel (seu querido caçula “Gabilunga”). Abracei Eustachio e Lola. Cantamos pra Fon no quarto transformado em UTI. Ali, senti que só um milagre. Mas também senti que Fon já era imortal.