2 de mar de 2011

Adeus Suzanne Rotolo


New York - "Era a coisa mais erotica que eu jamais tinha visto. Encontra-la foi como entrar nos contos das mil e uma noites. Começamos a conversar e a minha cabeça começou a girar". A mulher que ha meio seculo atras fez girar a cabeça de um jovem de vinte anos chamado Bob Dylan morreu depois de uma longa doença nesta New York distante anos luz daquele village de artistas que ela propria ajudou a construir. Nao existe fan de Bob Dylan que nao a conheça: Suzanne Rotolo era a menina que aparece na capa de The Freewheelin'.
De braço com o seu Bob no coraçao do Village: imagem de um tempo feliz feito de musica e amor. E luta.
Suze era tres anos mais nova que Robert Zimmerman quando - com apenas dezessete anos - encontrou aquele jovem violonista folk que destrinchava o repertorio de Woody Guthrie em um bar italiano entre Mercer e a West Fourth Street. O encontro que mudou a historia da musica jovem e rebelde. Foi aquela menina quem introduziu Bob recem chegado em New York nos ambientes mais radicais e politizados da metropole. Ela, a pequena ativista "italiana", a filha de pais imigrantes de segunda geraçao ja integrados na contracultura de New York: o pai ilustrador,
a mae jornalista de Unità, a ediçao americana do jornal comunistra italiano. Ela, a jovem intectual que aplicou o provinciano vindo de Duluth, Minnessota, contando-lhe sobre Picasso e Cezanne, cantando-lhe as poesias malditas de Rimbaud. E contando-lhe sobre a tragedia dos negros resumida na morte de Emmett Till que inspirou em Dylan uma de suas primeiras cançoes de protesto.
Bob e Suze erao os jovens principes do Village. E nao por acaso se chama
"A Freewheelin' Time: A Memoir in Greenwich Village in the Sixties", o belo livro de memorias que Suze publicou ha tres anos. "Freewheelin'" significa "à rota livre". "Mas a aliança entre eu e Suze", recordarà Bob, "terminou exatamente por nao ser um passeio no bosque". Dois carateres fortes. Com ela rebelde demais para se acontentar com o papel de musa. E ele rico demais daquele genio grande demais para se recolher ao Village. "Ela tomou uma estrada e eu outra", recordarà Bob em seu livro "Chronicles". Na verdade a estrada de Bob havia jà cruzado com a de Joan Baez. Mas antes de terminar nos braços da rainha do Folk Mister Zimmerman perdeu literalmente a cabeça por aquela "italiana" bonita e cabeça dura.
Quando em 1962 Suze acompanhou sua mae à Italia e viveu "em exilio" na Universidade para estrangeiros de Perugia, a ela Bob dedicou desesperado "Tomorrow is a Long Time": amanha é longe demais.
Tres anos depois suas estradas se separaram realmente. O seu ativismo a fez embarcar para Cuba e a defender até o fim - com muitas polemicas - o regime de Fidel Castro. Casou com um italiano. Continuou a viver no Village. Trabalhou como professora e ilustradora. Somente para o filme documentario de Martin Scorcese "No Direction Home" decidiu falar pela primeira vez sobre Bob. Para depois contar tudo no seu livro-confissao.
Dylan recordarà: "Quantas noites passei acordado a escrever cançoes para depois lhe mostrar e perguntar "ta legal assim?"
Ta legal. Tava otimo. Foi bom demais.