24 de nov. de 2009

O decrescimento


O decrescimento é elogio do ócio, do lento e da duração; respeito ao passado; consciência que não existe progresso sem conservação; indiferença às modas a ao efêmero; atingir a sabedoria da tradição; não identificar o novo com o melhor, o velho com o ultrapassado, o progresso com uma sequência de fragmentos, a conservação com o fechamento mental; não chamar consumidores os que adquirem, porque o objetivo da aquisição não é o consumo mas o uso; distinguir a qualidade da quantidade; desejar o regozijo e não o divertimento; valorizar a dimensão espiritual e afetiva; colaborar ao invés de competir; substituir o fazer finalizado a fazer sempre mais com um fazer bem feito finalizado à contemplação.
O decrescimento é a possibilidade de realizar um novo Renascimento, que libere as pessoas do papel de instrumentos do crescimento econômico e recoloque a economia no seu papel de gestão da casa comum a todas as espécies viventes de modo que todos os seus inquilinos possam vive-la melhor.

La decrescita

La decrescita è elogio dell’ozio, della lentezza e della durata; rispetto del passato; consapevolezza che non c’è progresso senza conservazione; indifferenza alle mode e all’effimero; attingere al sapere della tradizione; non identificare il nuovo col meglio, il vecchio col sorpassato, il progresso con una sequenza di cesure, la conservazione con la chiusura mentale; non chiamare consumatori gli acquirenti, perché lo scopo dell’acquistare non è il consumo ma l’uso; distinguere la qualità dalla quantità; desiderare la gioia e non il divertimento; valorizzare la dimensione spirituale e affettiva; collaborare invece di competere; sostituire il fare finalizzato a fare sempre di più con un fare bene finalizzato alla contemplazione. La decrescita è la possibilità di realizzare un nuovo Rinascimento, che liberi le persone dal ruolo di strumenti della crescita economica e ri-collochi l’economia nel suo ruolo di gestione della casa comune a tutte le specie viventi in modo che tutti i suoi inquilini possano viverci al meglio.


Maurizio Pallante

18 de set. de 2009

BZ4

BZ4tet è o meu grupo de musica instrumental brasileira, neste video, tocando uma composiçao de Paulo Bellinati; "Choro Sapeca".

8 de set. de 2009

Gente E' Pra Brilhar

Esplendida cançao de Caetano Veloso do final dos anos 70, "covered" com graça por Roberta Sá.

28 de ago. de 2009

A Return To Love

Nosso medo mais profundo nao é que sejamos inadequados. Nosso medo mais profundo é que sejamos fortes alem da medida. E' a nossa luz, nao a nossa escuridao que mais nos apavora. Perguntamos a nòs mesmos, Quem sou eu para ser brilhante, magnifico, talentoso, fabuloso? Na verdade, quem sou eu para nao se-lo? Voce é um filho de Deus. O seu joguinho curto nao contribui ao mundo. Nao ha nada de iluminante em se retrair para que as outras pessoas em torno a voce nao se sintam inseguras. Todos nòs fomos feitos para brilhar, como fazem as crianças. Nascemos para manifestar a gloria de Deus que està dentro de nòs. Nao é apenas em alguns de nòs; é em cada um de nòs. Na medida em que deixamos a nossa propria luz brilhar, inconcientemente permitimos às outras pessoas de fazer a mesma coisa. Na medida em que somos liberados de nosso proprio medo, nossa presença automaticamente libera outros".

"Our deepest fear is not that we are inadequate. Our deepest fear is that we are powerful beyond measure. It is our light, not our darkness that most frightens us. We ask ourselves, Who am I to be brilliant, gorgeous, talented, fabulous? Actually, who are you not to be? You are a child of God. Your playing small does not serve the world. There is nothing enlightened about shrinking so that other people won't feel insecure around you. We are all meant to shine, as children do. We were born to make manifest the glory of God that is within us. It's not just in some of us; it's in everyone. And as we let our own light shine, we unconsciously give other people permission to do the same. As we are liberated from our own fear, our presence automatically liberates others." ~
Marianne Williamson, A Return To Love: Reflections on the Principles of A Course in Miracles


24 de ago. de 2009

O Meu Sol E' Voce


Letra de uma das cançoes do meu album "Realidade Real" (2002). No link a seguir da pra escutar uma parte da gravaçao. http://www.luizlima.org/disco/realidade.html

Te chamo,
Nao vejo ninguem.
Espero,
Tento lembrar.
Onde foi?
Serà mais além?
Quem vai me dizer?
O que é?
O que tem de ser?
O meu sol é voce.

A vida é aqui,
Agora é voce,
Quem chora,
Na discussao.
O tempo nao para,
Nao espera sinal,
Corre,
Sem direçao.
Sem o sol,
Nao hà soluçao,
O meu céu é voce.

Nao quero mais deixar voce sumir da minha vida
Nao quero o medo
Vou saber o modo de te amar

Quero sentir voce na pele
O sol da minha vida
Quero mais o ceu da terra
O brilho no olhar

http://www.jazzitalia.net/recensioni/realidadereal.asp

4 de jul. de 2009

Dedicado a Fon (11/02/1952 - 03/07/2009)

Extraordinaria versao mais "bluesistica" desta obra prima do Bob Dylan contemporaneo, originalmente lançada no disco "Love and Theft" de 2001. As legendas com a traduçao em espanhol da letra sao um adianto...

21 de mai. de 2009

Best American Folk

Desde o lançamento de "Solitude Standing" em 1987, o seu segundo album, que contem "Luka" e "Gipsy", entre outras òtimas cançoes, Suzanne Vega permanece como uma das mais distintivas expressoes da musica folk americana contemporanea. Esta "New York Is A Woman", do seu ultimo disco "On Beauty & Crime" (2007), é mais uma pérola em sua coleçao.

9 de mai. de 2009

A Nova Voz do Jazz Brasileiro

Luciana Souza é provavelmente, a esta altura, a cantora brasileira de maior prestigio no contexto internacional e "jazzistico" da musica, MPB ou nao. Filha de musicos - seu pai participou, junto com Joao Gilberto e Tom Jobim, da primeira gravaçao de "Chega De Saudade", feita por Elizeth Cardoso, pouco antes que Joao Gilberto fizesse a sua versao dessa musica e que marcaria o inicio da "Bossa Nova" - Luciana hà varios anos vive nos Estados Unidos, onde formou-se na famosa Berklee College of Music em Boston. Alem de um extraordinario talento, ela se distingue sobretudo por uma competencia tecnica/expressiva a toda prova.

23 de abr. de 2009

Realidade Real


Letra da cançao que dà titulo ao meu album "Realidade Real", de 2002. Os versos que pra mim sintetizam melhor o "conceito" sao: Realidade Real é quando o sonho é a pura visao: o amor està para o medo, como a luz para a escuridao. No link abaixo da pra escutar uma parte da gravaçao.
http://www.jazzitalia.net/recensioni/realidadereal.asp

Realidade Real é quando amor = paixao,
onde termina a dor,
é o fim da ilusao.

Realidade real é quando a paz = perdao,
onde começa o prazer,
o inicio da uniao.

Nada tao bem,
Nada melhor pode ser,
Ser, estar no tempo infinito.
Como nao sei,
Nem importa saber,

E' o que é,
E' o que hà,
E' o que foi,
O que serà,
Realidade Real

E' ter, é ter. é ter na mente
E' ter, é ter. é ter na luz
E' ter, é ter. é ter, eternamente
E' ter, é ter. é ter, eterna luz

Realidade Real é quando o sonho é a pura visao:
o amor està para o medo,
como a luz para a escuridao.


http://www.luizlima.org/disco/realidade.html



2 de dez. de 2008

O Blues caiu no Samba (e o Samba ficou azul)


O que teria acontecido naquele periodo da historia - final do seculo XIX e primeiras décadas do século XX - se, invertendo-se os dados, Charlie Patton, Blind Lemmon Jefferson, Son House, Leroy Carr e Robert Johnson tivessem nascido e crescido no Brasil, enquanto que, por outro lado, Joao da Baiana, Donga, Pixinguinha, Sinho e Heitor dos Prazeres tivessem nascido e crescido nos Estados Unidos da América?

Nao requer tanto esforço de imaginaçao para se supor que, em virtude dos dotes artisticos dos ilustres senhores, da comum ascendencia africana e respectivo patrimonio genético-cultural, além da condiçao social à qual estavam necessariamente vinculados no continente americano, do norte ao sul, enquanto raça descriminada, hà algumas décadas apenas liberada da escravidao, com toda probabilidade, os cinco primeiros teriam se tornado sambistas, pioneiros do genero de maior peso na formaçao da identidade musical brasileira: o Samba, enquantio que os outros cinco, por sua vez, teriam se tornado bluesmen, analogamente, inventores do genero que constitui a raiz mais original e determinante da identidade musical norte-americana (estadonidense): o Blues.

Isto provavelmente teria acontecido, a menos que tivessem sido os ingleses a colonizar o Brasil e vice-versa, os portugueses os Estados Unidos, e mesmo assim, talvez fosse ainda necessario que, por obra de alguma estripulia do eixo da terra, tivesse sido totalmente invertida a geografia do nosso planeta, cosiderando a importante influencia de fatores climaticos no desenvolvimento de uma cultura.

Em suma, é claro que é o contexto cultural, com toda a sua complexidade de fatores; ecologico, socio-politico, economico e no caso especifico da musica, especialmente no periodo historico em questao, do fator religioso, sobretudo aquele relacionado a religiao oficial, a condicionar o produto cultural de uma sociedade.

O estratagema proposto acima deve servir apenas para ilustrar o tema de um interessante paralelo que se pode traçar entre o Samba e o Blues, como jà mencionado, respectivamente as matrizes mais basicas e fundamentais das identidades musicais brasileiras e americanas, duas culturas que, pelas suas imponentes dimensoes, nao apenas territoriais, mas principalmente em relaçao a diversidade de elementos e caracteristicas de formaçao (com tanto de melting pot), inegavelmente foram pela maior parte do século XX - e continuam a ser - as culturas musicais que maior influencia tem exercido no mundo moderno, numa época caracterizada pela progressiva fusao e interaçao cultural (musica popular e musica erudita, por exemplo), em consequencia do desenvolvimento dos meios de comunicaçao, particularmente do advento da industria fonografica, do radio, da televisao e da internet.

Embora analogos em tantos aspectos, como, em ùltima analise, podem ser analogas as historias do Brasil e dos Estados Unidos, o Samba e o Blues na realidade se distiguem por elementos musicais um tanto diferentes. O Samba é acima de tudo um ritmo, enquanto que o Blues é principalmente um fato melodico, uma harmonia, na concepçao pitagorica do termo. De fato, originalmente nao se pode identificar uma linguagem melodica ou harmonica (entendida como acordes) no Samba tao bem definida quanto no Blues, que chegou a produzir uma escala inédita (em relaçao à cultura musical de tradiçao europeia), caracterizada pelo inconfundivel efeito da "blue note".

Outra caracteristica distintiva no Blues é a progressao de acordes, perfeitamente inserida na concepçao tonal da tradiçao europeia - as areas harmonicas de dominante e subdominante gravitando em torno a um centro tonal - porem com a diferença marcante de uma constante tensao produzida pelo uso generalizado do acorde de setima da dominante em todas as tres areas harmonicas, ou seja, um efeito de tensao que permanece mesmo no estado de repouso do acorde de tonica.

Esses traços fortemente distintivos do Blues, fazem com que a sua impressao seja facilmente reconhecida onde quer que venham a ser adotados, qualquer que seja o ritmo ou o genero de musica em questao.

O Samba, cujo principal elemento distintivo é o ritmo, no plano melodico/harmonico, assim como o Blues, tambem inicia o seu desenvolvimento a partir da assimilaçao dos componentes rudimentares da tradiçao musical europeia - no caso do Brasil, através de sua variante predominantemente lusitana - mas, à parte o ritmo, o Samba nao chegou a produzir algo tao distintivo quanto o Blues. Por outro lado, a complexidade ritmica que dele pode ser derivada, eventualmente permitirà que uma verdadeira linguagem ritmica/melodica/harmonica se desenvolva e que restarà como traço definitivo da identidade musical brasileira.

Desde o seu nascimento, nas primeiras décadas do século XX, o Samba flertou com os novos ingredientes harmonicos e melodicos oriundos do Blues, num processo gradual de interaçao mais ou menos bilateral, naturalmente de acordo com os diversos momentos da conjuntura historica e social. A questao chegou a ser discutida em letra de musica, como no caso de "Chiclete com Banana", de Gordurinha e Almira Castilho, lançada por Jackson do Pandeiro na década de 1950.

E', porem, no momento sucessivo da historia, por volta da segunda metade do século XX, quando o samba se funde definitivamente ao Jazz (derivado do Blues), assimilando organicamente formas e estruturas, dando origem ao que se convencionou chamar Bossa Nova, que se desenvolve propriamente uma linguagem melodica e harmonica com caracteristicas originais brasileiras.

Alem das blue notes e acordes de sétima da dominante (tipicos do Blues), outras notas de tensao ou alteradas entram nas melodias (Se voce disser que eu desafino amor...), harmonizadas adequadamente, com tanto de tensao e alteraçao, tudo isto mesclado à caracteristica complexidade ritmica do Samba, àquela altura promovido a genero de unidade nacional, vetor de uma rica ancestralidade e do enorme patrimonio folclorico gerado pelas diversas regioes brasileiras, onde entra com peso especial o Nordeste do pais.

Nessa perspectiva de criaçao de uma identidade musical brasileira, unificada, palpavel e contemporanea, fundamental é o legado de Heitor Villa-Lobos, uma especie de chave para se penetrar em profundidade na Terra Brasilis. Esta chave serà essencial no desenvolvimento do trabalho de Antonio Carlos "Tom" Jobim, apenas para citar aqui o musico compositor, que, com a sua obra deixarà definitivamente impresso o selo da modernidade na musica brasileira, conferindo-lhe um de seus traços mais distintivos, que a lançarà na linha de frente do "mercado" da aldeia global e que tambem, afinal, levou o Blues (através de sua descendencia mais evoluida, o Jazz) a cair no Samba...

Texto que escrevi sob solicitaçao do amigo poeta de Natal, Carlos Gurgel, para a revista BROUHAHA da Fundaçao Capitania das Artes (Natal, RN), publicado na ediçao de Abril/Junho de 2006.




23 de set. de 2008

Meditaçao


Hermann Hess é uma referencia fundamental para muitos de minha geraçao (adolecencia entre os anos 1960 e 70). Li varios de seus livros, entre os quais, a essencial trilogia "Demian", "Sidharta" e "O Lobo da estepe", alem de "Narciso e Boccadoro", magnificas narrativas que reportam em diferentes estagios e contextos a tematica primordial, caracteristica mais palpavel na obra deste genial escritor: a tensao carne x espirito, instinto x cultura, numa perspectiva de forte inspiraçao no controverso super-homem (Dioniso x Apolo) de Nietzsche, um de seus principais maestros.
A poesia a seguir, entitulada "Meditaçao", foi escrita por HH em torno a 1933, portanto, depois de todos os romances citados acima. E' uma minha traduçao do texto em italiano (nao leio nem falo alemao).

Divino e eterno é o espirito.
Na direçao dele, do qual somos imagem e instrumento
segue o nosso caminho; o nosso mais profundo ardente desejo é:
tornarmos-nos como ele, nos transmutar na sua luz.

Mas somos terrestres e mortais,
sobre nòs criaturas a inercia carrega o peso.
A natureza, é verdade, nos seduz
com a sua beleza e o seu calor materno:
a terra nos aleita, nos acalenta no berço e no caixao,
nos convida a ficar aqui em baixo entre as suas flores;
mas a natureza nao nos satisfaz plenamente:
o lume premonitorio do espirito imortal
atravessa o seu encanto materno,
paternalmente, faz da criança um adulto:
extingue a inocencia, nos desperta à luta, à consciencia.
Assim entre mae e pai,
entre corpo e espirito,
oscila o filho mais fragil da criaçao:
trépida alma humana, capaz de sofrer
como nenhum outro ser no mundo
e capaz da coisa mais elevada:
o amor na fé e na esperança.

Arduo é o seu caminho, culpa e morte sao o seu alimento.
Amiude se adentra nas trevas, amiude
seria melhor que nao tivesse nascido.
Mas sempre resplandece sobre ele a sua missao,
o seu destino: a luz, o espirito.
E nòs sentimos: ele, o vulneravel,
é amado pelo Eterno com amor especial.
Por isso a nòs, irmaos no erro,
o amor é possivel mesmo na discordia.
E nao a condenaçao, nao o odio,
mas o amor paciente,
a paciencia amorosa nos conduz
mais proximos à sagrada meta.

22 de set. de 2008

Graves, medios e agudos

Justo ou por engano,
ha um preço que me cobram o pagamento.
Afinal sou eu o responsavel,

como se fosse um presidente da republica.
Faço o que posso,

eu de carne
e ouço.
Compositor e arranjador de sonhos e sons
Em busca da realidade real